segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Escrúpulo Esculpido

Ela, quando criança, jogava-se sem culpa no colo de seu amigo mais velho. E amava estar ali, sentia a proteção paterna, o carinho de um irmão e o calor de um amigo.

Ele também adorava sua amiguinha. Fazia-a rir, ensinava-a e aprendia. Acima de tudo, impressionava-se com a forma sincera que ela o estimava.

Não muito tempo a seguir, as coisas foram gradualmente se tornando diferentes. Ela começou a evitar o contato físico, não havia mais abraços nem brincadeiras. Restara apenas conversas superficiais sem significado nem utilidade.

Ela sentia falta da proximidade e intimidade perdida. Não entendia porque não conseguia mais se entregar. Não sabia se era vergonha ou outra coisa. Havia em sua cabeça alguma voz dizendo que aquilo era errado, que não era um comportamento adequado para a mocinha a qual estava se tornando. Preocupava-se com o que as pessoas diriam, tinha medo de ser julgada, tinha medo do que o próprio destino lhe reservava. Preocupava-se com essas pequenas coisas que outrora eram indiferentes.

Ele também sentia falta do comportamento antigo de sua amiguinha, porém sabia que cedo ou tarde isso iria acontecer, sabia que, com o passar dos anos, ela iria se afastar e começar a ser mais reservada. Só não entendia o que motivava esse comportamento...

Ambos seriam para sempre saudosos à época em que a moral sem sentido da sociedade não tinha a menor importância.

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