terça-feira, 18 de agosto de 2009

Rua Europa

Escrevi essa crônica há 2 anos, talvez não partilhe mais de tudo que disse aí, mas ayways, aí está.

Eu estava entediado admirando o teto. Meus pensamentos vagavam infinitamente. A cada minuto voltava minha atenção para a tela do computador, que outrora já servira muito para me divertir, agora não passava de um aparelho ultrapassado e sem muitas utilidades. “Como a tecnologia avançava! O que ontem era novidade, logo já estava aposentado e substituído”.

Outros pensamentos assim, sem muita importância, me vinham a cabeça, mas não me importava, minha vida continuava na mesma rotina e aquilo me deixava cada vez mais inquieto.

Precisava mudar, experimentar coisas novas, viver e aproveitar todos os anos que me escapavam. Em breve a idade chegaria e não teria mais tempo ou disposição para sair ao mundo. Mas nada de muito radical também podia fazer, a situação financeira não permitia que eu pudesse me esbanjar de luxos e prazeres desnecessários.

E aquele dilema impregnou em minha cabeça e não me deixou, todas as tentativas de distração eram fracassadas.

Havia pouco tempo que chegara em casa vindo do mercado, entrei sorrateiro em casa, embora tenha idade suficiente para morar sozinho, morava com meus pais. Liguei a televisão para assistir o noticiário, para saber as diversas desgraças que aconteciam pelo mundo. Logo a primeira notícia que passava no monitor mostrava o novo ganhador da loteria, felizardo! Seu sorriso ia de orelha a orelha, também pudera, acabara de embolsar milhões de reais.

Como eu invejava aquela fortuna! Sonhava tanto em enriquecer e pessoas conseguiam assim, apostando na sorte. De que me adiantara tanto estudo e tempo perdido em minha adolescência se iria apodrecer naquela cadeira na casa dos meus pais. Fazia vários tipos de trabalho para ajudar nas despesas da casa enquanto meu diploma mofava na gaveta. Quando criança achava que assim que deixasse a faculdade encontraria minha fortuna, mas as coisas não foram nada do jeito que achei que seriam... elas nunca foram.

Cansado de ficar ali, agonizando minhas idéias, saí na rua para esperar alguma coisa acontecer. Como se estivesse esperando que o bilhete premiado da loteria caísse do céu e resolvesse todos meus problemas. Estava tudo calmo, a rua não era movimentada, ficava num bairro afastado do centro, por ali só passavam alguns moradores.

Olhei para os lados e concluí que nada aconteceria ali, estava decidido a voltar quando uma linda mulher aparecera dobrando a esquina. Ela andava olhando ao redor, procurando por alguma coisa. Era perfeita; o jeito de andar, o balançar ondulante dos cabelos, a expressão do olhar preocupado e encantador.

Ela estava se aproximando e eu não conseguia deixar de olha-la. Quando estava a alguns metros de mim, nossos olhares se encontraram, ela sorriu e eu me senti envergonhado, estava de chinelos, com o cabelo desarrumado e uma camiseta amassada. E, como um sonho, ela veio em minha direção:

– Oi, você, por acaso, sabe onde é a Rua Europa?
Gaguejei:
–É... Aquela ali embaixo, só entrar a direita.
Ela agradeceu com um sorriso inesquecível e saiu sem deixar eu falar mais nada.
– Filho, vem me ajudar com a roupa!
– Já vou, mãe – Entrei.

E de repente as coisas começaram a fazer sentido.

sábado, 25 de julho de 2009

Em busca da felicidade!

A felicidade é o sentimento mais cobiçado pela humanidade. Todas as escolhas são feitas com o intuito de alcançar mais momentos felizes. Se você escolhe trabalhar ou largar o trabalho; ficar rico; estudar mais ou dormir mais; fugir de casa; ir morar nas montanhas; montar uma plantação de melancias geneticamente modificadas... Você só se decide depois de considerar qual escolha te fará mais feliz.

Mas afinal, o que felicidade é?

Não sei, às vezes até desconfio que exista. Não que eu seja um infeliz depressivo que vê desgraça em tudo, mas não consigo definir um sentimento chamado felicidade.

Talvez nada mais que bons momentos, risadas com amigos, esquecer da vida por alguns instantes, curtir um show, conhecer o mundo, montar uma plantação de melancias geneticamente modificadas... Mas tudo é momentâneo, nada disso dura muito, e, uma hora ou outra, você cai na real de novo, volta a rotina, recupera os problemas, as preocupações, esquece tudo isso.

Por isso não consigo acreditar na felicidade eterna. “E viveram felizes para sempre.” Bah! Que bobagem! Aliás, nem teria graça, uma vida inteiramente perfeita, sem problemas, sem desafios, sem metas.

Mas, no entanto, esse é o ideal para muitas pessoas, e pra tentar moldar esse mundo 100% feliz, que elas o disfarçam. Preferem acreditar num mundo de ficção, vivem numa realidade alternativa para, assim, apreciarem esse sentimento indefinível que chamam felicidade.

Uma vez que você é cego, você pode imaginar o mundo do jeito que lhe agradar. Mas uma vez que abre os olhos, não adianta mais fecha-los pois a verdade vai estar gravada na sua mente. E aí, ser feliz, fica um pouco mais difícil...

domingo, 5 de julho de 2009

A vida medieval ainda persiste!


Esse necessariamente teria de ser meu primeiro post pois ele é o fundamento para que todas minhas idéias e conceitos se desenvolvam. Acredito que todos os meus pensamentos expostos futuramente serão apenas uma conseqüência desse primeiro.

Afirmei no título que o estilo de vida medieval ainda retumbava na atualidade, agora me explico: No tempo do feudalismo existia uma enorme opressão da igreja católica que espalhava a ideologia de que é mais difícil um rico entrar no céu do que o Sílvio Santos fazer uma participação especial numa novela da Globo. Ainda diziam os santíssimos que a vida terrena devia ser de sofrimento, sem prazeres ou sorrisos e esse era o único caminho do paraíso.

Agora, mais de 500 anos depois, pouca coisa mudou.

De fato, hoje em dia há mais liberdade, o próprio fato de eu poder redigir esse texto já exemplifica uma grande diferença praquela época. Porém, muitas das religiões, senão todas, estimulam limites, regras e deveres aos seus seguidores que os privam de seus desejos pessoais.

O mistério do pós-vida amedronta a humanidade desde que o primeiro pensamento surgiu no homem pré-histórico e a promessa da salvação eterna é tentadora demais pra uma pessoa pensar duas vezes antes de fazer tudo que for preciso pra se livrar do fim de seus dias. Ainda se ameaçada com o fogo do inferno e a danação eterna, não há como não se sentir intimidado, abaixar a cabeça e obedecer.

Esse poder divino imensurável e inexplicável serve pra explicar todas as falhas humanas. É muito mais fácil falar que Deus não quis do que assumir os próprios erros, é mais fácil dizer que Deus tem um plano pra o futuro do que sentir-se com medo da próxima curva da vida. E por amenizar esses sentimentos que seriam fatais, que religião e humanidade sempre andaram juntos, um não poderia viver sem o outro.

E devido a isso, as igrejas cobram dos fiéis atitudes e perfis em troca da salvação. Regras formadas por humanos, por vários humanos, milhares de religiões cada uma com seu costume e suas crenças. Cada uma com o próprio jeito de ver o universo sempre com extrema convicção. Além de sua doutrina ser a correta, todas as outras são erradas e levam à perdição.

Agora a pergunta que eu me faço:
É notável que uma pessoa religiosa se sente bem com suas crenças, tem sempre alguém a quem recorrer nos piores momentos e tem sempre uma motivação extra pra ansiar o amanhã. Mas é possível conseguir ter uma pitadinha de fé considerando os argumentos acima verdadeiros?